O grande dia chegou. Após meses entre idas e vindas até a ortopedia para confeccionar o encaixe perfeito, inúmeras sessões de fisioterapia e consultas com o psicólogo, Carlos, que tem amputação abaixo do joelho, finalmente irá testar sua prótese transtibial pela primeira vez.

Porém, ele notou que nos últimos dias seu coto está um pouco vermelho e tem sentido fortes dores na região também. Por estar ansioso com o início da protetização, decidiu não alertar seu fisioterapeuta sobre essas alterações.

Será que Carlos agiu de maneira correta ou qualquer alteração no coto é hora de procurar o hospital? O Dr. Raphael Sancinetti responde!

A IMPORTÂNCIA DO CUIDADO COM O COTO 

amputação-Transfemoral

Um dos fatores que influenciam diretamente o tempo de adaptação às próteses ortopédicas, além do nível de amputação, idade do paciente e sistema de prótese, é a sensibilidade do coto, uma vez que ele fica em contato imediato com os encaixes protésicos.

Além dos cuidados diários, como a higienização com água morna e sabonete neutro, massagem proprioceptiva e hidratação do membro residual, o amputado deve prestar atenção aos sintomas de infecção ou inflamação que podem surgir no coto.

COMO IDENTIFICAR A INFECÇÃO NO COTO?

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A infecção geralmente acontece em cotos de origem traumática, em que o paciente precisou utilizar fixador nos ossos, ou seja, o amputado sofreu algum acidente de trabalho ou de trânsito e utilizou as populares “gaiolas” no membro residual após a amputação.

As hastes deixam uma porta de entrada para microrganismo entre o meio interno com o externo do corpo, pode ocasionar infecções e servir como porta de entrada para bactérias ou fungos, responsáveis pela osteomelite, uma infecção óssea que necessita de cuidados especiais para não virar uma septicemia – inflamação generalizada pelo corpo, que pode inclusive, levar a óbito.

O amputado deve procurar por um profissional responsável quando sentir que seu coto está quente, inchado, avermelhado ou com secreção de pus pela cicatriz.  

ATENÇÃO! Os pacientes diabéticos que sofrem com a síndrome do pé diabético devem tomar cuidado redobrado com as infecções nas regiões amputadas, já que possuem dificuldade na cicatrização e os machucados no membro residual tendem a ser mais frequentes.  

O QUE CAUSA INFLAMAÇÃO NO COTO AMPUTADO?

De acordo com o Dr. Raphael Sancinetti, qualquer tipo de pancada, enfaixe inadequado, impacto ou atrito com o coto pode causar inflamação.

Diferente das infecções, as inflamações no coto podem ser tratadas em casa, com o auxílio de gelo, repouso e remédios (caso prescrito).

QUAL A DIFERENÇA ENTRE INFLAMAÇÃO E INFECÇÃO NO COTO?

amputação transtibial
amputação transtibial

As infecções frequentemente são acompanhadas por febre, vermelhidão excessiva e principalmente secreção de pus nas cicatrizes com forte odor no coto.

Já as inflamações causam fortes dores, vermelhidão, temperatura elevada da pele e não há a presença de secreção.

CUIDADO EXTRA: TOME CUIDADO COM A FOLICULITE

O fisioterapeuta Sancinetti aproveitou para alertar sobre os riscos da foliculite. “Considerando que o coto está em constante atrito com os componentes protésicos, como o liner, sofrer com os pelos encravados é algo que infelizmente todo amputado esta suscetível, seja de membros superiores ou de nível transtibial, transfemoral, desarticulação de quadril ou joelho”, explica o fisioterapeuta.

Após diagnosticada, a foliculite costuma ser tratada através de antibióticos, higienização diária do coto com sabonete antibactericida e limpeza do liner, que apesar de ter íons de prata que atingem o DNA das bactérias nocivas à saúde, deve passar por manutenção a cada um ano e meio de uso.  

Vale alertar ainda que a foliculite impede o uso pleno das próteses ortopédicas, por deixar o coto extremamente sensível e com secreção de pus também.

Por mínimas que sejam as alterações no coto do amputado, não faça como Carlos. Comunique imediatamente os profissionais responsáveis e comece o tratamento o mais rápido possível.

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